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__________________________________________________________________________________________________________________ A
comédia é baseada nas histórias de jovens artistas que vieram para o
Rio em busca da grande chance. No palco, diversos personagens surgem
da imaginação de um autor que se vê às voltas com suas criações e criaturas.
Cada um tem uma história diferente, mas os sonhos são mais ou menos
o mesmo: fazer sucesso no mundo do teatro, do cinema e da televisão.
É um espetáculo onde o mundo do showbiz é retratado pelo ponto de vista
de quem está à margem desse mundo, fora de cena, louco para entrar. 'Clandestinos'
Denise
Fraga sobe ao palco no Rio
após 18 anos Lúcia Freitas recebe Denise Fraga com flores no Teatro dos 4 Figurinha carimbada da Rede Globo, Denise Fraga era quase uma desconhecida nos palco do Rio de Janeiro. Sem se apresentar por 18 anos pela cidade, a atriz resolveu mudar o curso dessa história e entrou em cartaz com A Alma Boa De Setsuan nesta quarta-feira (03/6).
_________________________________________________________________________________________________ João Falcão, homem por trás de Clandestinos e de um monte de coisa boa.
Por
Leonardo Bruno - Extra Online
Ele é o nome por trás de sucessos da TV, como "O auto da Compadecida" e "Sexo frágil", e de belíssimos espetáculos de teatro, como "A ver estrelas", "A máquina", "A dona da história" e "Ensina-me a viver". João Falcão, autor e diretor pernambucano de 50 anos, é sinônimo de coisa boa. Por onde passa, deixa sua marca de criatividade, brincando como ninguém com as linguagens dos meios em que trabalha (ele também é homem de cinema e até já compôs música). A última do João foi reunir mais de 3 mil jovens artistas em busca de vaga numa peça sua. O resultado você conferiu no post anterior: "Clandestinos" é a melhor surpresa da temporada - e o público tem reagido tão bem que vai ficar em cartaz até o fim do ano. Esta semana, conversei com João Falcão sobre a peça que virou sua mais nova paixão. E que agora é a nossa também. João, escrevi aqui no blog que dá gosto ver "Clandestinos", entre outras coisas, pelo prazer que os atores têm em cena. Você sente isso no dia-a-dia com eles? É impressionante. Quando eles estão no palco, dá pra perceber como estão honrados por estar ali, com uma disposição incrível. Afinal, foi o projeto que tirou todos eles de casa, de vários lugares do Brasil e do interior do estado do Rio, para uma aventura. E ninguém sabia no que ia dar, mas acreditaram naquele sonho, mesmo concorrendo com 3 mil pessoas. Você esperava tanta procura quando resolveu abrir a seleção para novos atores? De jeito nenhum! Colocamos o aviso em um site, saiu uma notinha não sei onde, algumas pessoas começaram a falar... E teve essa procura toda! Não sabia o poder da internet, fiquei impressionado. O problema é que não tinha condições de analisar tanta gente! Então resolvi estipular o critério de escutar 400 pessoas, selecionadas a partir das 3 mil fichas. Entre os inscritos, tinha gente do Acre, da Bahia, de Rondônia, do Rio, do Sul, eram diversas experiências, diversas culturas, diversas classes sociais. Tentei pegar 400 pessoas que representassem mais ou menos esse universo, essa diversidade. E mesmo assim ainda era muita gente... Era demais ainda, era um número absurdo. Tinha dias em que eu entrevistava 80 pessoas direto, e hoje tenho tudo isso gravado, catalogado. Destas eu selecionei 30. E depois foram escolhidos os 14 que estão na peça. Foi bacana ver essa diversidade nacional, confrontar tanta gente, juntar pessoas de cultura diferente convivendo durante algum tempo, aprendendo uns com as histórias dos outros... E quando você começou a seleção já tinha a história pronta? Já sabia que ia falar sobre um autor em busca de seus personagens? Não, o espetáculo foi criado depois que eu selecionei os 14 atores. Comecei a escrever a partir das pessoas que tinham participado desse processo. Então ficou muito mais rico, porque pude aproveitar um pouco das experiências deles, as questões dos jovens artistas sobre a carreira, que é tão sonhada e concorrida. E eu sempre trabalho com jovens artistas, então conheço bem esse universo. Você também viveu um pouco dessa angústia no seu começo de carreira, quando veio de Recife para o Rio? Em 1985 eu vim para o Rio pela primeira vez com vontade de trabalhar com arte. Já era conhecido no Recife, tinha uma carreira boa, era premiado. Mas era aqui que as coisas aconteciam, daqui partiam as grandes produções para o país todo. E foi uma grande aventura para mim. Com 20 e poucos anos você encara tudo, não tem problema não ter onde dormir. Ou não dormir... Eu às vezes pegava um ônibus circular e ficava dentro dele rodando, pra dar uns cochilos. Passei um ano aqui e não aconteceu nada. E você ficou desestimulado? Não, eu voltei para lá e continuei meu trabalho no teatro, na TV, na publicidade, na produção de clipes, etc. Aí quando vim novamente para o Rio já foi para trabalhar com o Guel Arraes na TV Globo, já vim com convites fechado. Dessa vez vim com mais segurança. O processo para montar os "Clandestinos" foi semelhante ao processo para montar "A máquina"? Não, porque na "Máquina" eu escolhi atores que já conhecia. Eu fiz um trabalho na Bahia e conheci Vladimir Brichta. Ele me apresentou Wagner Moura, que me apresentou Lázaro Ramos... Gostei deles no teatro e, quando quis fazer a peça, pensei nesse formato de vários atores dividindo o papel principal. Mas tem semelhanças no processo de imersão, de trabalhar bastante com um objetivo comum, preservando as diferenças, formando uma trupe. Para você, um processo longo como esse, como o de "Clandestinos" e mesmo o da "Máquina", é mais prazeroso pelo trabalho artístico ou mais sofrido, até chegar ao objetivo final? Para mim é tudo prazeroso, sempre. O único sofrimento nesse processo foi "desescolher" as pessoas (Falcão cita um trecho da peça, em que se fala que, quando se escolhe alguma coisa, se "desescolhe" outra). Quando tinha 3 mil pessoas e escolhi 14, significa que eu desescolhi 2.986! Dos 400 que selecionei para a segunda fase, queria trabalhar com pelo menos uns 100. Dos 30 que ficaram depois, eu queria todos! Isso é sofrido, porque você deixa de fora muita gente talentosa, querida... Mas o resto é feito com muito prazer! Pra mim, só o processo já teria valido a pena. Agora ver que o resultado de tudo isso tem sido tão carinhosamente aceito pelo público é uma felicidade a mais. ________________________________________________________________________________________________ |
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